Penso que pela primeira vez me sinto só. Sinto falta dos meus amigos que estão longe de mim, e eu deles. Fazem-me falta, até hoje pensei que só eu fazia falta a mim mesma. Talvez esteja a tornar-me frágil. Sinto falta dos meus padrinhos e madrinha académicos, sinto falta dos amigos, e sinto falta de quem me estimula intelectualmente. Sinto falta. Sinto-me incompleta.
Vamos estar juntos a partir de dia 24, mas vai ser como abanar um doce a uma criança, deixa-la dar duas lambidelas e tirar-lho outra vez dia 1.
Seja como for, sinto que o meu lugar é lá apesar de me sentir bem em casa. Não fazia ideia que a distância dava cabo de mim.
Acredito que me esteja a descobrir uma nova pessoa, afinal até aos 21 estou em constante mutação e descoberta do meu eu. Apesar de estar a dirigir as minhas energias para o percurso académico, o cúpido não faz tensões de me deixar em paz, estou a sentir-me atacada e não estou propriamente a gostar. Pela primeira vez, estou a guardar segredos só para mim, apesar da melhor amiga me conhecer e o cordão umbilical invisível que me liga a ela lhe dizer tudo, apenas as minhas expressões faciais de sim ou não lhe confirmam aquilo que ela sabe sem saber. O que me vale é que ela está em Lisboa, o que torna o que ela sabe ainda mais secreto.
O meu lado de mulher normal fala de mais.
Sinto-me feliz, no entanto incompleta e sobre o controlo bélico de um Mito.
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