domingo, 9 de novembro de 2008

O inicio (II)

A atracção que exercem sobre nós pode significar muita coisa. Este fim de semana deparei-me com o erro de interpretação que cometi, ao pensar que a atracção, ainda que não saibamos explicar porque a sentimos tem inúmeras naturezas, mas poucas vezes corresponde à natureza do amor. Pensei ("pensar é estar doente dos olhos"), que não amava ninguém para lá da atracção(pensava aliás que a atracção era amor, mas não o é). Amor, ou algo perto disso, digo isto porque acredito que só se ame uma vez na vida, e como a minha vez já passou sinto algo idêntico ao amor. Aquele amor cliché, aquele amor banal, aquele amor tranquilo, aquele amor sólido, aquele amor que nos serve de refugio a todo o momento, o amor presente em cada objecto, em cada olhar, em cada pensamento, o amor que não cega nem nos quer mal.
Por vezes é tão bom, ter alguém que nos afague, que nos limpe a lágrima, que festeje connosco, sim, porque as piores derrotas são as vitórias festejadas na solidão. Sou amante do viver no isolamento do mundo, do eu, do que vejo, do que sinto, do que penso, no entanto a parte anilam, que sobressai de vez em quando cá para fora repudia a solidão e clama por carinho, mas quem ter para nos acarinhar quando não temos ninguém? É aqui que entra o amor ao outro, amamos para ser amados de volta para que ainda pouco nos relacionando com o mundo e com a sociedade, não enlouqueçamos e passemos de um animal que valoriza a ascese e o trabalho do pensamento solitário a animal selvagem incapaz de ter dois dedos de conversa. Na minha opinião ter medo do mundo, ser temido pelo mundo ou ser incapaz de se relacionar com este devem ser os piores pesadelos que alguém pode sofrer acordado. É "bom" ser snob, é sim, mas sê-lo em exagero é animalesco.
Tudo isto para me consciencializar de que não sou tão animalesca como pensava, cheguei a achar a minha solidão exacerbada, no entanto encontrei alguém que me prende por uma ténue linha ao mundo real, naquele em que sou obrigada a viver todos os dias.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

ओ inicio

De confusões e baralhções se fazem a vida. Dia sim, dia não, tropeçamos em problemas, pecados, confusões; a vida é assim mesmo, bela e deliciosa recheada de humor negro e partidas de mau gosto na sua grande maioria.
Aqui, venho problematizar as baralhações de uma pós adolescente, às portas da Universidade. Temo jantares do caloiro, praxes, ou talvez não. Todavia o receio da descoberta de um mundo novo que se pode revelar uma caixa de pandora, que toma conta de mim tal como o entusiasmo. Talvez vá viver para casa de um "amigo" de curta data. Este seduz-me tanto com a sua inteligência como com o cheiro da sua roupa, o timbre da sua voz, a sua arte de tocar uma panóplia de instrumentos e poder da oratória. Escolha errada esta. Sinto que devo estar fora do alcance, do seu poder e do que ele exerce sobre mim, "posso fugir mas não me posso esconder/ posso ate rezar mas não há nada a fazer/ mais cedo ou mais tarde ele apanha o passo/ quase que o posso sentir apertar o laço". A paranóia do perto, do longe, do com quem andas? De quem amigo és?
Verdade que sinto um vago sentimento de posse sobre ele, talvez seja porque não o tenho na mão nem ele a mim, talvez porque nos detestamos tanto como nos gostamos, talvez nos entendamos bem de mais tanto para o seu gosto como para o meu. Vivemos isolados dentro de nós, queira admitir ou não. Imprimimos um impacto demasiado legível na vida, na alma, no caminho um do outro e a vontade que nos une também nos afasta. A vida e mesmo assim, nunca ficamos juntos com quem amamos mas sim com quem gostamos. Enfim, divagações de quem quer não querendo e querendo não querer.