sexta-feira, 23 de julho de 2010

Vento

Passeando na praia, sou levada pelo vento. Sinto-me bem, calma, feliz. Deleguei ao vento a responsabilidade dos meus passos sejam eles mar a dentro ou areal a fora.
Porquê? É melhor assim?
É isto apenas uma pequena metáfora, destino. Ou livre arbítrio? Será melhor cair num erro porque não podemos fugir a este, porque estamos predestinados, guiados por algo a cometê-lo ou cairmos sozinhos num buraco porque nos fomos lá enfiar sozinhos e escolhemos lá nos meter?
Não existe uma combinação dos dois? Seria perfeito poder de vez em quando ligar o piloto automático da vida e deixar-nos levar pelo vento da praia, e quando nos apetece, mudar a rota do nosso caminho, porque não nos apetece molhar os pés.
Será melhor sermos senhores do nosso destino ou ter um senhor do nosso destino?
Prefiro não acreditar em nada, assim não crio. Assim não existe.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Teorizar a Saudade...

O que é afinal a saudade? Esse vocábulo tão português... Será que somos só nós que sabemos definir numa só palavra a falta que sentimos? Sentir falta de quê?
De quem amamos?
Da pessoa em si?
Do hábito e da rotina de algo?
Ou será tudo isto?
Cada ser Humano, tem uma forma diferente de sentir, até mesmo os que não sentem. Será que sentimos? Acredito que sentimos, mas o quê? É nesta ténue linhas que as palavras deixam de fazer sentido, porque não conseguimos exprimir em palavras as emoções que sentimos quando fechamos os olhos e pensamos em alguém e sentimos uma emoção que nos liga à pessoa em questão, aquilo que ela nos faz sentir, aquilo que ela nos lembra, o seu cheiro, o seu toque.
Estou a soar demasiado sonhadora. Talvez porque sinta saudades, sérias saudades. Ou será outra coisa? Não!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Away

Penso que pela primeira vez me sinto só. Sinto falta dos meus amigos que estão longe de mim, e eu deles. Fazem-me falta, até hoje pensei que só eu fazia falta a mim mesma. Talvez esteja a tornar-me frágil. Sinto falta dos meus padrinhos e madrinha académicos, sinto falta dos amigos, e sinto falta de quem me estimula intelectualmente. Sinto falta. Sinto-me incompleta.
Vamos estar juntos a partir de dia 24, mas vai ser como abanar um doce a uma criança, deixa-la dar duas lambidelas e tirar-lho outra vez dia 1.
Seja como for, sinto que o meu lugar é lá apesar de me sentir bem em casa. Não fazia ideia que a distância dava cabo de mim.
Acredito que me esteja a descobrir uma nova pessoa, afinal até aos 21 estou em constante mutação e descoberta do meu eu. Apesar de estar a dirigir as minhas energias para o percurso académico, o cúpido não faz tensões de me deixar em paz, estou a sentir-me atacada e não estou propriamente a gostar. Pela primeira vez, estou a guardar segredos só para mim, apesar da melhor amiga me conhecer e o cordão umbilical invisível que me liga a ela lhe dizer tudo, apenas as minhas expressões faciais de sim ou não lhe confirmam aquilo que ela sabe sem saber. O que me vale é que ela está em Lisboa, o que torna o que ela sabe ainda mais secreto.
O meu lado de mulher normal fala de mais.

Sinto-me feliz, no entanto incompleta e sobre o controlo bélico de um Mito.