Vinte anos hoje feitos ou ainda a fazer. Começo a notar o tempo ingrato a passar por mim, ou serei eu que estou a ser ingrata com o tempo?
Já há muito que não escrevia, que não pensava, bem, pelo menos aqui. Lá está, o tempo é algo que escaceia na nossa vivência diária do ir e vir das aulas, lavar a roupa e cozinhar. Onde fica o ócio do pensamento no meio disto? Talvez durante o sono, quando podemos viajar no infindável mundo onírico.
Por vezes gostava apenas de viver nos meus sonhos, bons ou maus. Ao menos eram sonhos, e de universo em universo alteravam-se, cresciam e expandiam. Porque é tão mais mágico viver num mundo maleavel por nós mesmos, a nossa ilha. A realidade é demasiado estática, mas demasiado frágil. O tempo é um labirinto demasiado sinuoso, e eu não estou propriamente a desfrutar dos caminho por onde me leva.
E de que nos serve a existência do tempo? Não acredito no tempo. O tempo é uma mentira, uma falsa verdade. O tempo não existe, nós fazemos o tempo. Criamos a inércia dos movimentos dos ponteiros do relógio que não existem.
Caramba, e cheguei aos vinte anos. Duas décadas. Fica o saudosismo das brincadeiras idiotas de uma criança que nunca o foi, os primeiros amores, e o homem da minha vida. O meu mestre, mas esse acredito que perdure na minha vida até que um dia me vá embora, ou ele se vá embora. Já perdi a conta ás vezes que nos tentámos afastar. Nunca o conseguimos. Porquê? Talvez estejamos unidos por algo impossível de romper. Ambos em Lisboa, sem uma palavra conseguimos encontrar-nos, atraírmo-nos como ímans.
O que é o tempo? O que é o espaço físico? Nada. Tudo ser resume ao nada. A mente que acreditamos controlar controla-nos.
Bem, vou tomar isto como um "bem-vinda aos anos vinte".