A atracção que exercem sobre nós pode significar muita coisa. Este fim de semana deparei-me com o erro de interpretação que cometi, ao pensar que a atracção, ainda que não saibamos explicar porque a sentimos tem inúmeras naturezas, mas poucas vezes corresponde à natureza do amor. Pensei ("pensar é estar doente dos olhos"), que não amava ninguém para lá da atracção(pensava aliás que a atracção era amor, mas não o é). Amor, ou algo perto disso, digo isto porque acredito que só se ame uma vez na vida, e como a minha vez já passou sinto algo idêntico ao amor. Aquele amor cliché, aquele amor banal, aquele amor tranquilo, aquele amor sólido, aquele amor que nos serve de refugio a todo o momento, o amor presente em cada objecto, em cada olhar, em cada pensamento, o amor que não cega nem nos quer mal.
Por vezes é tão bom, ter alguém que nos afague, que nos limpe a lágrima, que festeje connosco, sim, porque as piores derrotas são as vitórias festejadas na solidão. Sou amante do viver no isolamento do mundo, do eu, do que vejo, do que sinto, do que penso, no entanto a parte anilam, que sobressai de vez em quando cá para fora repudia a solidão e clama por carinho, mas quem ter para nos acarinhar quando não temos ninguém? É aqui que entra o amor ao outro, amamos para ser amados de volta para que ainda pouco nos relacionando com o mundo e com a sociedade, não enlouqueçamos e passemos de um animal que valoriza a ascese e o trabalho do pensamento solitário a animal selvagem incapaz de ter dois dedos de conversa. Na minha opinião ter medo do mundo, ser temido pelo mundo ou ser incapaz de se relacionar com este devem ser os piores pesadelos que alguém pode sofrer acordado. É "bom" ser snob, é sim, mas sê-lo em exagero é animalesco.
Tudo isto para me consciencializar de que não sou tão animalesca como pensava, cheguei a achar a minha solidão exacerbada, no entanto encontrei alguém que me prende por uma ténue linha ao mundo real, naquele em que sou obrigada a viver todos os dias.
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